Tic-End
Junho 19, 2008
Furtaram-me o tempo e com ele os mais profundos significados da minha existência.
Na calada da noite ou no alvoroçar do dia, é impossível precisar quando isso ocorreu, de maneira sorrateira e na surdina, levaram de mim meu bem mais precioso.
Sim, porque meu amor estava no tempo, meu pensar estava no tempo. Até o ímpeto que tinha em tornar-me um grande herói para a humanidade, quem sabe até o próximo prêmio Nobel
da paz esvaiu-se, assim como tudo mais o que me fazia sentido, diante do tão irrecuperável saque à essência do meu eu.
Se por um acaso me fosse possível, correria os quatro cantos do mundo a fixar cartazes pelas ruas onde desesperadamente anunciaria: TEMPO, PROCURA-SE.
É bem verdade que quando o tempo se foi deixaram comigo, como alento a minha profunda incompetência diante da forma como conduzo minha vida, o álibi. Então quando não sou o que deveria, quando não tenho o que deveria refugio-me diante da tão “inexorável” realidade:
EU NÃO TENHO TEMPO.
Mesmo assim, o quero de volta. Podem ficar com o álibi, pago o que for preciso por essa troca. Acho justo. Quero amar, pensar… enfim, salvar-me para que assim eu possa salvar o mundo. E ser o próximo prêmio Nobel da paz.